Tempos difíceis também são reveladores

Sim, tempos difíceis podem revelar muito.

Sejamos honestos, o panorama não está nada fácil de assimilar: mortes em massa, previsões catastróficas para a sociedade, para o sistema de saúde público e para a economia. E dependendo da classe social, a situação beira o insuportável e desumano. Essa é a realidade.

E nesses tempos difíceis é comum revelarmos nossos ‘personagens dos dias caóticos’, ou seja, aqueles papéis que desempenhávamos em dias ‘normais’ saem de cena para outros papéis mais latentes, ou mais refreados, entrarem no palco. Tais papéis variam de acordo com nossas crenças, vivências, poder aquisitivo e, claro, estupidez.

Como, por exemplo, os personagens do “Tenho que encontrar uma forma de lucrar com isso!” / “Enquanto uns choram outros vendem lenços!”. Também temos o grupo do “Tudo histeria, tudo complô!”; ou então os “Se eu e os meus estamos seguros, ema, ema…”.

Em contrapartida, há os “Eu coopero, tu cooperas…”; os “Vamos nos organizar para ajudar…”/ “Sinto que preciso fazer alguma coisa…” e assim por diante.

E antes que comecemos a vestir a carapuça desses personagens nas outras pessoas, é importante esclarecer: são todos (somos todos!) seres humanos (embora alguns não pareçam) que, em situações críticas, costumam dar passagem para o Mr. Hyde ou Dr. Jekyll que os habita. Só isso (só?).

Nesse cenário, manter aquela inteligência emocional que aprendemos nas centenas de workshops e vídeos motivacionais é tarefa desafiadora até para o mais equilibrado e iluminado guru-coach.

Talvez, nesses momentos caóticos, vale mais dar um passo para trás e assimilar o momento ao invés de brigar com ele ou tentar superá-lo a todo custo.Talvez. Isso porque, tempos assim exigem que encaremos duas coisas muito difíceis: limites e mudança de hábitos.

Já sabemos quais limites atingimos: usufruímos demasiadamente e desigualmente do nosso planeta… e de nós mesmos.

Por isso, talvez não haja ‘voltar à normalidade’ mas sim ‘ir para frente’, para o cenário futuro. Um cenário onde possamos ‘viver com’ e não somente ‘sobreviver à’.

E esse sim, é um desafio tão grande quanto a destruição da pandemia: o da construção para todos e não somente para alguns.

Fica  a pergunta: qual será o seu papel nesse novo cenário?

2020-04-24T13:50:04-03:00

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