O desafio da liderança online

Passei algumas semanas observando e conversando com líderes (de diferentes idades e empresas) para saber, na prática, como estavam exercendo a liderança online.

A maioria comentou sentir algum tipo de dificuldade para lidar com a equipe nessa ‘versão remota’, entre elas, manter a produtividade e o ‘astral positivo’ dos liderados foram as queixas mais comuns. Mesmo os que tinham experiência em reuniões a distância afirmaram que houve um aumento significativo nos lapsos, estresse e, principalmente, desentendimentos entre os integrantes da equipe.

Uns disseram estar ‘tocando em frente’ mesmo assim, sem ‘pensar muito’ no assunto e outros revelaram que acolher e até mesmo ‘apenas ouvir’ tem sido eficaz para superar esse desafio do distanciamento físico.

Talvez ainda seja um pouco cedo para avaliar estatisticamente quais líderes estão realmente performando melhor com suas equipes: os que ‘tocam em frente’ ou os que ‘acolhem’. No entanto, ouso apostar minhas fichas no segundo grupo por um motivo simples e bem conhecido dos cursos de liderança: saber ouvir faz toda diferença para ser um líder eficaz. E talvez essa habilidade nunca tenha sido tão posta a prova como agora.

Isso porque, numa pandemia com tantas informações desencontradas, tantos riscos, tantas separações e distanciamentos é natural as pessoas sentirem-se fragilizadas e com medo, mesmo que não se deem conta disso. E quando as pessoas temem por suas vidas e dos seus entes queridos, sua energia fica mais direcionada para as necessidades básicas do que para números e desempenho. Maslow que o diga.

Se o líder ignora esse medo (apesar de também senti-lo) o tal sentimento se aloja com mais força nos corações e nas mentes e transborda sob a forma de esquecimento, agressividade, procrastinação, doenças psicossomáticas e assim por diante.

Ignorar sentimentos latentes pode ser arriscado, sabe por que? Porque o medo quer ser ouvido e acolhido. Somente depois do acolhimento e do reconhecimento da realidade (seja ela qual for) é que o grupo consegue evoluir para construir ações e planejamentos.

Lembrete: acolher não significa ‘passar a mão na cabeça’ ou ‘ficar falando da vida pessoal’. Acolher significa saber ouvir (escuta empática) e reconhecer limites e habilidades da equipe (e o seu próprio). Significa olhar para o óbvio. Líderes que já faziam isso antes da quarentena relatam que as dificuldades da liderança online são superadas com mais rapidez – ‘apesar de ser mais cansativo’, relatam alguns.

Líderes que nunca se preocuparam com isso ou que não tinham essas habilidades desenvolvidas relatam grandes dificuldades com as ‘questões comportamentais’ que citamos anteriormente – além de também acrescentarem o ‘cansaço’ de liderar online.

Nada do que estou dizendo é novidade, sei disso. Mas em tempos de crise e medo esclarecer o óbvio é fundamental, e isso é papel do líder.

2020-05-06T17:06:34-03:00

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