1o. de abril: Dia do Psicodrama

Hoje é primeiro de abril, dia do Psicodrama. Foi o dia que Jacob Levy Moreno realizou o primeiro ato público psicodramático, em 1921, na Áustria (sendo lá o ‘dia dos loucos’ e aqui no Brasil, ‘o dia da mentira’).

Portanto, quero hoje deixar minha homenagem para esse método que utilizo há quase 15 anos e que deu um significado especial para minha vida profissional e pessoal.

Frequentemente, quando me apresento em empresas e palestras como ‘psicodramatista’ percebo olhares interrogativos e surpresos perante o termo. Não é para menos, a palavra é forte na sonoridade e no significado. No entanto, erroneamente costumam associá-la a drama, melodrama, ou a algum drama psicológico.

A palavra vem do grego, ‘psique’ significa alma/eu e ‘drama’ significa ação, costumamos definir psicodrama por ‘eu na ação’. Isto porque a metodologia é composta de técnicas que auxiliam no desenvolvimento das relações humanas e muitas dessas técnicas e conceitos teóricos tiveram sua origem no teatro.

O criador do psicodrama foi o médico psiquiatra romeno Jacob Levy Moreno (1889-1974) que aliou seu conhecimento em teatro, filosofia e suas raízes religiosas à ousadia de intervenções em grupos dos mais diversos. Ele acreditava que existia um laço profundo entre os seres humanos, por isso toda sua fundamentação teórica parte da ideia do homem em relação e da inter-relação entre as pessoas.

Moreno defendia que a cura para os conflitos grupais estava dentro dos próprios grupos e utilizava sua metodologia em intervenções nas praças, centro de refugiados, hospitais, presídios, entre outros. O mundo era seu laboratório e o tratamento das relações humanas “para uma cura social mais ampla” era seu objetivo profissional e pessoal. 

E como todo cientista à frente de seu tempo, Moreno tratava conflitos sociais com intervenções grupais numa época em que os estudos sobre o indivíduo estavam começando. Ele vislumbrou, muito antes do conceito de globalização existir, que esse seria o caminho mais saudável para os seres humanos: se aproximar.

O grande diferencial da abordagem psicodramática está em ouvir e enxergar o grupo em suas ansiedades e conflitos ao invés de levar respostas prontas e pré-concebidas. Para tanto, a formação do profissional de psicodrama, o psicodramatista, é contínua. Ele treinado para estar aberto ao novo, diariamente, e também a desenvolver a ‘escuta verdadeira’, ou seja, ouvir as pessoas sem se esquecer de que também é um ser humano.

Parece óbvio, mas essa escuta e esse olhar exige muito treino e, é claro, humildade. Essa é a filosofia psicodramática: o respeito ao outro. E como estamos interligados e somos todos da mesma família humana, o respeito ao outro é, na verdade, o respeito a si mesmo.

Para quem tiver interesse em saber um pouco mais sobre o psicodrama, vou compartilhar o link de uma entrevista que concedi ao Canal Alma Psi.

2019-04-01T11:04:26+00:00

Deixar Um Comentário